A privatização da EBAL (Empresa Baiana de Alimentos), antiga gestora da rede Cesta do Povo, voltou ao centro do debate público após desdobramentos de investigações que atingem o setor financeiro e nomes de peso da política baiana. O foco das atenções recai sobre a operação do Credcesta, um cartão de crédito consignado que se tornou exclusivo para servidores públicos estaduais.
A origem da polêmica
O processo teve início em 2018,
durante a gestão do então governador e atual Ministro da Casa Civil, Rui
Costa, com articulações que envolveram também o senador Jaques
Wagner. Na época, a EBAL foi arrematada por um consórcio liderado pelo
empresário Augusto Lima, que posteriormente se tornou sócio de Daniel Vorcaro
no Banco Master.
A principal crítica e objeto de
análise de órgãos de controle refere-se à criação de um modelo de crédito
consignado (o Credcesta) que, segundo reportagens recentes e denúncias de
associações de servidores, operaria com taxas de juros consideradas
abusivas — chegando, em casos extremos, ao rotativo de cartões com
encargos muito superiores aos praticados em consignados convencionais.
A suspeita sobre os políticos
A suspeita que tem sido veiculada
por parlamentares de oposição e colunistas de política não é de uma condenação
judicial, mas sim de uma suposta promiscuidade entre interesses
públicos e privados. Os pontos sob investigação ou questionamento incluem:
- Exclusividade e decretos: Questiona-se
a legalidade de decretos estaduais que teriam dificultado a portabilidade
da dívida dos servidores para outros bancos, garantindo ao Banco
Master/Credcesta uma reserva de mercado bilionária.
- Proximidade com empresários: A relação
de proximidade entre os ex-governadores e o empresário Augusto Lima (preso
temporariamente na Operação Compliance Zero em 2025) é
citada como um indício que precisa de esclarecimento para descartar
tráfico de influência.
- Processo de privatização: Órgãos como o
Ministério Público e o TCU buscam entender se os termos da venda da EBAL
foram prejudiciais ao Estado ou se houve favorecimento na concessão do
monopólio dos consignados.
O outro lado
Tanto Rui Costa quanto Jaques
Wagner negam veementemente qualquer irregularidade. O ministro Rui Costa tem
reiterado que a privatização da EBAL foi uma medida necessária para estancar
prejuízos milionários aos cofres públicos e que todos os atos foram técnicos. O
senador Jaques Wagner, por sua vez, admite a proximidade institucional com
empresários do setor, mas afirma que não há "um centavo de dinheiro
público" aplicado de forma ilícita e que apoia a apuração rigorosa dos
fatos.
Situação atual
Recentemente, o Banco
Central decretou a liquidação de instituições ligadas ao grupo, como o
Banco Pleno e o próprio Master, citando agravamento da situação financeira e
descumprimento de normas. Para o servidor baiano, o cenário é de incerteza,
enquanto a justiça avalia o impacto das taxas cobradas nos últimos anos.

